A experiência institucional
Durante aproximadamente quinze anos, atuei no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, período em que tive contato direto com a análise de recursos e, especialmente, com o exame de admissibilidade dos Recursos Especiais e Extraordinários.
Na Assessoria de Recursos aos Tribunais Superiores da 1ª Vice-Presidência, acompanhei de perto a dinâmica que antecede a chegada das controvérsias ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal.
Foi uma experiência singular.
Ao longo dos anos, participei da análise de centenas de recursos, observando como questões relacionadas ao prequestionamento, aos fundamentos autônomos, às súmulas impeditivas, à delimitação da questão federal ou constitucional e a diversos outros filtros técnicos influenciavam o destino dos recursos excepcionais.
Mais do que conhecer a teoria, tive a oportunidade de acompanhar a forma como esses filtros são efetivamente examinados na prática institucional.
Essa experiência permitiu compreender algo que raramente aparece nos manuais: determinadas fragilidades costumam ser perceptíveis muito antes da interposição do recurso, mas nem sempre são identificadas a tempo.